Gravações - Repertório

As obras abaixo estão prontas e disponíveis para apresentações, concertos e recitais.


Nem todas as gravações foram atualizadas, portanto, algumas obras já possuem uma interpretação mais apurada.






Maiores informações, no Link Repertório e Downloads/Gravações
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Uma breve análise do Kontakt - Conclusão

Para finalizar esta breve analise do Kontakt para uso como Sampler de tempo real para piano, segue meu veredito, com base na analise de performance do software utilizando amostras gratuitas ou de avaliação.

A primeira parte do artigo, encontra-se no link abaixo:
Uma breve análise do Kontakt - Parte 1



Então, vale a pena?

Na minha opinião? Se você busca um som de Grand Piano perfeito, com sensibilidade apurada e precisa, com fortíssimos brilhantes e pianíssimos delicados, você precisará comprar um set de amostras com pelo menos 6 amostras por teclas (de preferência 6 amostras capturadas diretamente na corda e 6 amostras capturas do ambiente, sendo elas PPP, PP, P, F, FF e FFF).

O problema é que o Kontakt não possui rotinas para interpolação de sinais e filtragem. Desta forma, ao empilhar amostras, um ruído de fundo começa a aparecer que por vezes se torna chato, além de que, a depender do set de amostras você percebe perfeitamente a troca da amostra P pela F, por exemplo.

Cconforme já comentado anteriormente, isso ocorre pois o Kontakt aplica amplificação (aumenta/diminui o volume) com base no parâmetro velocity encaminhada pelo teclado (um parâmetro do protocolo MIDI). Este parâmetro indica a pressão/força aplicada sobre a tecla. Desta forma, quando você pressiona a tecla para obter algo entre o P e F, o software utiliza a amostra P e aumenta seu volume, dando a impressão de dinâmica.

O problema desta metodologia genérica, é que não é assim que as coisas funcionam no mundo real. No mundo real, quando uma corda recebe um ataque de maior força, esta vibra com mais intensidade salientando mais harmônicas, e inclusive, fazendo com que algumas harmônicas que antes não eram audíveis  passem a ser percebidas pelo ouvinte, mudando a assinatura daquela nota.

Por isto a necessidade de interpolação e até mesmo extrapolação. O sofware deveria rodar uma DFT entre as duas amostras, posicionar a relação de força e com base nisso, gerar uma nova amostra que seria um meio termo entre as duas, e somente após isto, amplificar.

É claro, a matemática empregada para este tipo de procedimento é complexa, consome muito recurso de hardware para ser feita em tempo real, e talvez não faça sentido para o uso fim do software (um sampler para uso geral).


Conclusão

Até agora o Kontakt é o melhor software sampler que encontrei, apresentando um excelente rendimento, porém, para uso profissional e alternativa ao hardware de um piano, ele não serve. Talvez com o uso de um set de amostras de maior qualidade, com mais amostras por tecla, estes problemas possam ser amenizado ou até mesmo sanados.

Com a quantidade certa de amostras por teclas, a necessidade de interpolação e demais "piruetas matemáticas" pode ser suplantada, e uma boa qualidade sonora pode ser atingida. Ainda vou buscar por um set de amostras melhor, e de repente, gravo alguns exemplos demonstrando o que tenho dito neste post.

Se vale a pena a compra do Kontakt? São 399 dólares, e você precisa das amostras. A não ser que você trabalhe com áudio e mixagem, não acho que vale o preço.

Abaixo, uma gravação de "Liebestraum no 3" de Liszt, efetuada com "Grandeur", um dos sets de piano da própria Kontakt, o que me faz pensar que realmente o problema é o set de exemplos.


segunda-feira, 29 de julho de 2013

História e uma breve análise de Le Petit Négre de Claude Debussy

Clude Debussy, foi um grande músico e compositor francês,nascido em 22 de agosto de 1862, tendo falecido em 25 de março de 1918.

Sua obra é pouco acessível, sendo complexa devido a sua densidade tonal e caráter inovador para a época, tendo ligação direta com o movimento impressionista. É comum o uso de cromatismo e figuras para demonstrar algum fenômeno, como por exemplo, a chuva caindo ou uma tempestade. Debussy também decidiu não ater-se ao método clássico de composição, desta forma temos obras cuja harmonia soa um tanto aleatória, e o aparecimento de cromatismos constantes com cadências pouco usuais na época.


Le Petit Nègre - The Litle Nigar - O Pequeno Negro

Esta obra foi composta em 1909, sua tonalidade é Dó Maior, porém, sendo uma obra impressionista moderna, sua tonalidade pouco diz respeito acerca da música.

Não existem muitas informações acerca da obra, sabe-se que foi escrita pouco após Debussy compor "golliwogs-cakewalk", uma coleção de pequenas composições simples para piano, dedicadas a sua filha. Alguns acreditam que "Le Petit Nègre" deveria fazer parte deste conjunto de composições, devido a sua similaridade com as demais obras.

Podemos perceber nesta peça muitas características modernas e impressionistas, como um a melodia granular e ritmada, que se perde e se mistura a cadência cromática, até tornar-se indistinguível. Após a cadência cromática, uma nova melodia é introduzida, esta mais clara, que leva a música novamente a uma melodia granular ritmada.

Em termos técnicos, trata-se de uma obra simples, apresentando dificuldade apenas em sua cadência cromática, que deve ser leve, e ao mesmo tempo misturar-se a melodia gradualmente afim de denotar as características próprias do período.

Abaixo, minha gravação para esta obra:

quarta-feira, 3 de julho de 2013

História e uma breve análise da "Fantasie-Impromptu" (Op66) de Chopin


Manuscrito original - Fantasie-Impromptu



A obra foi composta por volta de 1834, tendo sido entregue a Julian Fontana, compositor e grande amigo de Chopin. Na ocasião, Chopin solicitou a Fontana que a obra não fosse publicada, fato que ocorreu apenas após a morte do compositor, a pedido de sua família.
F. F. Chopin

Infelizmente pouco sabe-se a respeito da obra, principalmente por esta não ter sido publicada no ano de sua composição, desta forma não existindo quaisquer registros diretos sobre a obra. As poucas informações existentes foram encontradas em cartas. Uma das teorias mais aceitas é a de que Chopin teria desistido da publicação devido a uma semelhança não intencional com o Impromptu em mi bemol maior de Ignaz Moscheles. Outra possibilidade, é que esta obra teria sido originalmente vendida a uma baronesa, que simplesmente queria tê-la como propriedade exclusiva.



Uma breve análise da obra

Uma das maiores dificuldades desta peça reside nos ritmos alternados presente entre as mãos, sendo a mão esquerda formada por colcheias enquanto a mão direita executa tercinas e semicolcheias.
Inicialmente, temos uma melodia com movimento ininterrupto, em um compasso binário com um andamento allegro agitato.

Ritmos alternados, tercinas x colcheias


 A grande dificuldade na primeira parte desta obra reside em manter a leveza e suavidade, aumentando gradualmente a tensão da obra devido as mudanças de tonalidade. Um cuidado especial deve ser dado ao segundo tema apresentado, que precisa soar marcado.

"Segundo tema" exposto assinalado, deve ser salientado

Também deve ser dado uma atenção especial a cadência que resolve a primeira parte da obra. Esta candência leva a peça para um compasso largo, na tonalidade de ré bemol maior, que introduzirá uma fantasia em um andamento moderato cantabile.

Cadência que introduz a fantasia


Esta parte da obra (a fantasia) utiliza fragmentos e ideias dos temas já expostos na primeira parte, apresentando-os sob uma ótica mais doce e calma, sem o devaneio apresentado inicialmente, indicando-lhes uma breve resolução.

Inicio da fantasia - Moderato cantabile


O final desta fantasia mostra-se abrupto, sem uma resolução, denotando um tom sombrio e retornando ao devaneio inicial. A tonalidade volta a dó sustenido menor com andamento allegro agitato, porém, ao final da grande cadência, temos semicolcheias na mão direita e o mesmo tema utilizado durante a fantasia é executado pela mão esquerda, desta vez dobrado e mais marcado, encaminhando a obra para uma resolução com um acorde de dó sustenido maior.