Gravações - Repertório

As obras abaixo estão prontas e disponíveis para apresentações, concertos e recitais.


Nem todas as gravações foram atualizadas, portanto, algumas obras já possuem uma interpretação mais apurada.






Maiores informações, no Link Repertório e Downloads/Gravações
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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A Música ajuda a "moldar" as pessoas? - Parte2

Dando continuidade ao "artigo" e as divagações referente ao estudo da música e  sua contribuição na formação do indivíduo, iremos falar um pouco sobre cada campo que a música acaba por desenvolver em um estudante sério.

Relembrando alguns pontos chave da primeira parte do artigo, podemos citar alguns trechos dos dois últimos parágrafos:

Nossas crianças e adolescentes não estão sendo acostumados a realizar tarefas necessárias, e que não gostam. Não estão sendo ensinados a ter disciplina para estas atividades...  

 ...podemos dizer que um estudante de música passa por diversas situações que exigem e forçam o desenvolvimento de algumas qualidades específicas...    ...não existe músico bem sucedido ou orquestra de renome sem estudo, comprometimento e muita força de vontade...

Portanto, o estudante de música precisará a cada dia se renovar, e será instigado a vencer e transpor seus próprios limites afim de continuar evoluindo. Isto tira o indivíduo da zona de conforto e o coloca em intensa atividade intelectual, fazendo-o aprender mais acerca de seu instrumento de estudo e dando-lhe parâmetros para autocrítica.

Assim, podemos dizer que o censo crítico, é o que impulsiona o estudante de música?

Autocrítica. Não adianta apenas
olhar-se ao espelho mas não
ter parâmetros para autoanalise
Talvez o censo crítico seja o começo da evolução de um estudante de música. Ele não diz respeito apenas a criticar o trabalho dos outros, mas principalmente a capacidade de autocritica, que faz com que o estudante analise o trabalho que vem desenvolvendo e consiga localizar erros, falhas e problemas que devem ser corrigidos. Isto somente é obtido com maturidade musical, e maturidade musical está diretamente ligada ao estudo do instrumento e da forma, ou seja, somente adquire-se autocritica mediante muito estudo e empenho, que transformar-se-a em maturidade musical.

Extrapolando isto para a vida e as atividades em geral, podemos perceber que estudantes de música acabam sendo mais centrados e possuem uma capacidade de autocrítica mais aguçada. São pessoas que normalmente empenham-se com maior afinco naquilo que estão fazendo e sempre tendem a querer melhorar mais e mais o seu trabalho, pois nunca é o suficiente. Este senso está incrustado em todos os grandes músicos, que a cada dia tentam se superar e vencer seus próprios limites, afim de melhorar o seu trabalho.


Força de vontade, o senso de dever e a paciência, estão intimamente ligados!

Ao estudar qualquer instrumento de forma séria o aluno aprende que deve ter força de vontade. No piano, o estudante acha que não existe coisa mais chata do que estudar escalas, até que lhe é apresentado o Hanon. Depois de passar isto, enfrenta Bach com suas invenções a duas vozes e sinfonias a três vozes. Um estudante de violino em alguns casos demora anos para conseguir extrair um som belo e controlado de seu instrumento, sem falar na dificuldade de se tocar "afinadamente" em um instrumento não temperado. O aluno de violão, que logo no começo de seus estudos defronta-se com as pestanas, e por aí vai. Cada instrumento tem suas dificuldades e seus momentos "chatos", assim como tudo na vida, e isto não está ligado apenas ao começo dos estudos. Todo instrumentista precisará se renovar e será desafiado com novas dificuldades, e para transpô-las, apenas com dedicação, paciência e muita força de vontade.


Muitos alunos desistem nestas etapas iniciais, a maioria não por falta de talento, mas sim por falta de força de vontade e paciência. Desta forma podemos chegar a uma conclusão simples: O estudo da música desenvolve o ser humano, e ensina-lhe disciplina, paciência, autocrítica e a ter força de vontade. Pois se um destes itens faltar ao estudante de música, este deixará de evoluir, ou simplesmente abandonará seu instrumento.


Einstein era músico em seu
tempo vago, assim como
muitos outros grandes
personagens históricos
Em um mundo onde tudo é transitório, e as pessoas preocupam-se apenas com o agora e com sua diversão, o estudante de música tem algo a mais para oferecer. No mercado de trabalho já existem empresas que priorizam candidatos que possuem algum instrumento musical em seu currículo pois é um indicador de persistência, organização, e paciência.

A música ajuda a desenvolver indivíduos que não desistem frente as dificuldades. Uma música complexa nova sendo inserida no repertório, é apenas mais uma oportunidade para aprender e desenvolver suas habilidades. O objetivo final é executar a obra, para isto, deve-se passar pelas etapas mais chatas, desde a leitura da obra até o desenvolvimento técnico necessário para sua correta execução, e posterior análise para desenvolvimento de uma interpretação condizente. Não obstante a isto, vemos muitas pessoas que desistem de seus instrumentos, assim como muitas pessoas desistem de cursos complexos como medicina e engenharia, que necessitam de um empenho extra para o domínio de matérias mais complexas, muitas vezes não por falta de capacidade, mas sim por falta de força de vontade e empenho.

Portanto, se quiserem dar um presente aos seus filhos, os instiguem a estudar um instrumento, e estejam acompanhando a sua evolução para ajuda-los a ter força nos momentos mais chatos e a não desistir, pois os benefícios para a vida posterior, são maiores do que apenas aprender a tocar algumas notas.




A Música ajuda a "moldar" pessoas? - Parte 1

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A Música ajuda a "moldar" pessoas? - Parte 1


                Sei que o título é estranho, e talvez a ideia seja justamente essa, um título estranho e talvez um pouco sem sentido (mas nem tanto), uma vez que pretendo discutir aqui uma questão um tanto complexa e que já foi abordada em diversos artigos mundo a fora. Será que o estudo continuado da música forma pessoas melhores? Até que ponto o simples fato de propiciar o ensino da música, principalmente a erudita, ajuda no desenvolvimento de crianças e jovens? Será que podemos afirmar que o estudo contínuo de música auxilia a moldar o comportamento das pessoas e a formar indivíduos mais bem preparados para mundo e para as diversas atividades intelectuais? Neste artigo, separado em duas partes, irei abordar este assunto e trazer alguns pensamento que me ocorrem. Todas as ideias expressas no texto estão relacionadas com a minha vivência pessoal e as observações que tenho feito ao longo dos anos, desde o tempo em que fui estudante de música, posteriormente professor de ensino técnico trabalhando diretamente com adolescentes, e hoje como professor de teclado.

                Atualmente vivemos numa época complicada, onde referências deixam de existir e as crianças acabam por perder o foco em coisas importantes pelo simples fato de serem chatas. Não foram uma ou duas vezes que escutei crianças e adolescentes reclamando das aulas de matemática na escola e falando com a boca cheia que não estudam para provas  devido a não gostar da matéria e não irão utilizar isto para nada, dando a desculpa que, a recuperação existe e os professores sempre dão um jeitinho de passar o aluno, por mais que não tenha estudado. É claro que este é um problema social maior e mais complexo, que está ligado a desestruturação familiar e um modelo de ensino decadente, que não proporciona mais ferramentas eficientes de cobrança aos professores, e muito menos formas de avaliações mais condizentes com a realidade tecnológica que vivemos nos dias atuais.

Porém, existe um fator intrigante nisto tudo, que me deixa um pouco preocupado. Nossas crianças e adolescentes não estão sendo acostumados a realizar tarefas necessárias, e que não gostam. Não estão sendo ensinados a ter disciplina para estas atividades, e isto se reflete no mercado de trabalho e na grande rotatividade nos cursos de nível superior, no aumento de problemas psicológicos entre jovens e adolescentes, e na  dificuldade para tomar determinadas decisões, pois estas são basicamente movidas pelo imediatismo e pela sua torpe visão daquilo que é "divertido".

                Desta forma, podemos dizer que um estudante de música passa por diversas situações que exigem e forçam o desenvolvimento de algumas qualidades específicas, que hoje começam a se tornar escassas no meio acadêmico e profissional, como o comprometimento, censo crítico e principalmente a força de vontade. Não existe música bem sucedido ou orquestra de renome sem estudo, comprometimento e muita força de vontade. Não perca a continuação deste artigo, onde iremos abordar os referidos pontos e fazer uma ponte entre eles, o estudo continuado de um instrumento musical e o mundo real.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A importância da escrita musical - parte 2

A notação musical tem como principio propiciar a transmissão das obras da forma mais pura e precisa possível. Quando um compositor produz e compõe uma música, é natural que ele queira que esta seja reproduzida da forma mais fiel possível, que cada nota esteja em seu lugar, e que as indicações de dinâmica sejam seguidas a rigor, mantendo a obra dentro do seu caráter original e de sua forma.

Portanto, a escrita musical foi desenvolvida e aprimorada para este fim, dar ferramentas aos compositores para que suas ideias possam ser transmitidas da forma mais precisa possível. Sendo assim, qualquer músico poderá, mesmo após centenas de anos, executar a obra com precisão, tendo ao menos alguma certeza de que a música estaria sendo executado da mesma forma que o compositor a idealizou.

Para ilustrar a importância da escrita musical, podemos pegar como exemplo a brincadeira do "telefone sem fio". Se você possui 30 pessoas envolvidas na brincadeira, e fala uma simples frase para a primeira, possivelmente quando chegar na última, observará uma diferença relativamente grande da frase dita inicialmente. Porém, a não ser que algum dos integrantes queira "sacanear" durante a brincadeira, possivelmente a ideia central da frase irá chegar do outro lado.

Com a música, não é diferente. A oralidade quando é feita de forma séria tende a sintetizar os fatos, para facilitar a memorização, e manter o fator central intocado e mais claro. Neste caso, falando em músicas percebemos que com o tempo obras que eram complexas, tornam-se apenas um motivo melódico (tema) nas mentes das pessoas.

Podemos pegar como exemplo moderno, a Sinfonia n° 9 de Beethoven


Abaixo, temos apenas o tema do quarto (4°) movimento da Sinfonia n° 9 e Beethoven, também conhecido como movimento coral, ou Ode to Joy (ode a alegria).

Tema da Nona Sinfonia


E na imagem a seguir, temos uma página deste mesmo quarto movimento, o mais próximo do original possível, utilizado por orquestras para reproduzir a obra completa L. V. Beethoven:



Podemos dizer que 95% da população mundial, tem em suas mentes apenas o tema desta grandiosa obra, tendo sintetizado a música ao máximo. Podemos perceber que as pessoas acabam por eliminar/esquecer os violinos, violas, chelos, baixos, trompas, tímpano, oboé, clarinete, coral, soprano, barítono e etc.

Ou seja, a escrita musical, é tão importante para a música, como a escrita "alfabética" é para o nosso dia a dia, e para a produção intelecto-cultural da humanidade.


Produção musical POP: Um problema para o futuro?

Com o surgimento da cultura POP, e a ascensão de estilos musicais como o JAZ e o Blues, tivemos uma grande revolução musical surgindo ao redor do mundo. A musica não precisava mais ser fruto da erudição. Ela poderia surgir do povo, e para o povo. Assim, surgem as músicas improvisadas e formas mais simples de composição e notação musical.

Com o tempo a musica atingiu a forma que temos hoje, e que predomina frente ao conhecimento popular. Letras escritas e cifradas onde estas cifras lembram a harmonia e evolução harmônica da música, servindo como base para o motivo melódico que passa a ser cantado.

Estas notações não são novas, mas passaram a ser amplamente utilizadas em nossa era. Criando toda uma classe de novos compositores e músicos, e tornando as obras mais próximas da poesia do que da própria música. Hoje, é normal você encontrar compositores que desconhecem os conceitos de "harmonia", e mesmo de escala e dinâmica, coisas básicas para qualquer músico e compositor. E neste ponto, temos um grande problema.

Como já mensionado no artigo anterior, nossa memória tende a simplificar as coisas, portanto o correto uso da notação musical e o aprendizado da escrita são fundamentais para que as obras sejam perpetuadas.

Muitos dos Salmos escritos na Bíblia eram cantados. Nos não temos ideia hoje de como eram estas melodias, simplesmente devido a falta de notação musical que possa ser compreendida por nós hoje, e que dê o sentido melódico as obras.

Eliminando qualquer problema relacionado ao idioma (Hebraico e Aramaico, no exemplo), se estas obras possuíssem notação musical moderna, poderíamos canta-las tal qual era feito em sua época.

Neste ponto, chego a seguinte conclusão: Corremos um grande risco de termos uma enorme quantidade de obras desconhecidas no futuro, simplesmente pelo fato de que seus compositores não se utilizam das formas de notação musical disponíveis.

O ensino musical deveria fazer parte do currículo escolar. Ao menos aprender a ler e escrever notas. Se nós aprendemos física, química, Matemática, Artes e tantas outras matérias, algumas vezes aprendendo apenas  o básico para que possamos ser direcionados para uma profissão no futuro, me pergunto o por que de não aprendermos música nas escolas.

Ao menos, todos saberiam como escrever uma melodia, proporcionando assim o conhecimento necessário para que compositores amadores pudessem escrever as melodias de suas músicas, registrando-as assim para a posteridade.


A importância da escrita musical - Parte 1

terça-feira, 12 de julho de 2011

A importância da Escrita musical - Parte 1

Escrita Cuneiforme
O fim da pré-história é marcado pelo aparecimento da escrita que é considerado, para a antropologia, um dos marcos mais importantes do processo evolutivo humano. Com o surgimento da escrita, os seres humanos poderiam guardar relatos que seriam passados de pessoa a pessoa, ou de geração em geração.

Logo, temos inicio a produção cultural e  as histórias, lendas, contos, narrativas de feitos de homens bravos, poderiam ser guardadas para a posteridade. Os palácios começam a utilizar a escrita para armazenar e organizar as suas decisões, dando origem assim ao escrivão.

Não era de se duvidar que logo, estariam escrevendo músicas e poemas cantados, pois mais antiga que a própria escrita, é a música.

Sabemos que os povos antigos utilizavam a música como forma de memorizar e passar as histórias de seu povo de pai para filho. Sabe-se por exemplo, que a tradição oral do povo hebreu era extremamente forte, e uma das formas de transmitirem sua história sem que houvessem alterações, era de forma musicada.


A escrita musical

A notação musical que conhecemos levou tempo até ser desenvolvida. Foram ao menos 7 séculos para que a escrita musical chega-se a sua maturação, contendo assim, grande parte dos elementos que possui hoje.

Foi por volta do século X que um monge teria dado inicio ao desenvolvimento da notação musical que hoje utilizamos. Ele teve a ideia de escrever as notas sobre o pentagrama, onde cada linha representaria a altura da nota a ser cantada. Os nomes das notas também foram criados nesta época para facilitar o aprendizado através do solfejo.

Escrita desenvolvida no Século X, comparada com a escrita moderna.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Buchner.png

Muita coisa evoluiu após isto e cada vez mais elementos foram inseridos como, por exemplo, o tempo, a clave, tonalidade, notações de dinâmica e etc.

Podemos observar que a forma de escrita musical no Século X possui grande diferença ao que estamos acostumados hoje. Isto ocorre pois os instrumentos modernos começaram a aparecer por volta do século XIV, sendo assim, entre os séculos XIV e XV tivemos grandes alterações na forma de escrita musical, transformando-a em algo mais próximo do que temos hoje.

Basicamente, podemos listar três fatores que mudaram e encaminharam estas transformações


  • 1 - Desenvolvimento de novos instrumentos de cordas (violino, viola, cello e baixo)
  • 2 - Sistema tonal temperado
  • 3 - Pianoforte


É claro que, não podemos ignorar o restante. O órgão é um instrumento muito mais antigo do que o violino, por exemplo. Os primeiros instrumentos a serem desenvolvidos foram de sopro, e estes instrumentos foram os precursores do órgão de tubos ( Sabe-se que o primeiro órgão de tubos foi construído no século III A.C.).

Com o amadurecimento da forma de escrita e notação musical, tornou-se possível o aumento de complexidade das composições. Desta forma as obras que eram, em suma cantadas, passaram a possuir acompanhamentos mais complexos e com o amadurecimento da forma de escrita  destes instrumentos, surgiram as Sonatas, uma nova forma musical, que dispensava a voz humana.

Posteriormente, com o surgimento do sistema tonal temperado, temos uma nova revolução na música. Torna-se mais fácil e prático desenvolver obras complexas. As modulações poderiam ser mais complexas e abrangentes, sem que o grupo de cordas corresse o risco de perder-se no meio da música.

Bach foi um dos precursores deste sistema, demonstrando sua viabilidade quando compôs "O Cravo Bem Temperado". A partir deste momento, a própria notação musical foi influenciada tendo a adição de novos elementos que propiciavam o uso do Sistema Tonal Temperado.

OBS: O Sistema Tonal Temperado já era usado antes de Bach compor seu livro, logo, estes elementos já estavam sendo  pouco-a-pouco inseridos à notação musical. Outros compositores já haviam composto fugas para este sistema, porém, o trabalho de Bach é o mais relevante, pois foi como um demonstrativo de todas as tonalidade existentes, tendo sido utilizado como base de estudo que veio a propiciar todo desenvolvimento musical que o precede.

Com o surgimento do pianoforte, conhecido hoje simplesmente como piano, temos início a adição das dinâmicas à notação musical. O processo de descoberta das capacidades do piano levou algum tempo, inclusive, devido aos aprimoramentos mecânicos deste instrumento.

Até então, a dinâmica estava ligada mais aos instrumentos de corda como o violino, e a voz humana. O cravo não possui expressividade. Desta forma, a expressividade dos instrumentos era pouco explorada e ficava a cargo do interprete ou regente.

Estas capacidades começaram a ser amplamente exploradas por volta da segunda metade do período clássico da música, e tiveram seu desenvolvimento acentuado até a primeira metade do período romântico. Desta forma, foi necessário o desenvolvimento de elementos para que isto também fosse passado para as partituras, surgindo assim, as notações de dinâmica.

Até a metade do período romântico, podemos dizer que 90% da forma de escrita musical que conhecemos já havia sido desenvolvida. Posteriormente, nos períodos moderno e pós-moderno, ainda foram inseridos novos elementos (como a raspagem de cordas, por exemplo), porém, estes elementos não vieram a trazer impacto tão grande como os desenvolvidos até a metade do período romântico da musica.


A importância da escrita musical - Parte 2