Gravações - Repertório

As obras abaixo estão prontas e disponíveis para apresentações, concertos e recitais.


Nem todas as gravações foram atualizadas, portanto, algumas obras já possuem uma interpretação mais apurada.






Maiores informações, no Link Repertório e Downloads/Gravações
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terça-feira, 21 de junho de 2016

Vídeo - Como ler música

O excelente vídeo abaixo apresenta uma forma bem didática para aprender a ler uma partitura musical. Vale muito a pena para quem está iniciando no aprendizado de música. O vídeo está em inglês, mas possui legenda em Português.



quinta-feira, 19 de maio de 2016

E o tal do nervosismo

É fato que todo musico/estudante, alguma vez na vida precisou ou precisará lidar com o nervosismo. Talvez o problema não seja o fato de apresentar-se a um grupo de pessoas, tampouco o fato de ser alvo do olhar e crítica das pessoas. Mas então, o que trava um músico ou estudante na hora de fazer uma apresentação? Seria isso um mistério? Talvez sim, talvez não. O fato é que cada pessoa poderá apontar um motivo, mas pelo que percebo todos eles retornam a um ponto: A importância do que está sendo realizado, e o que isto significa.

O mistério do nervosismo

A apresentação em si não é o problema. Não existe diferença entre o musico executar uma peça na segurança de seu lar, para sua família, ou para o público. Mas então, o que trava o músico? Uma mistura de fatores, irei enumerar alguns deles neste post, e imagino que muitas pessoas irão se identificar com eles, pois acredito que a fonte de nervosismo para palestras e apresentações variadas acabam tendo o mesmo fundo.

1 - Importância
A importância desta apresentação, seja ela uma grande concerto ou apenas um sarau de sua escola de musica, mexe diretamente com os nervos do músico. Por mais habilidoso que o músico seja, por mais preparado que esteja, se este for perfeccionista a tal ponto de não aceitar seus próprios erros, é um convite para o nervosismo. E é ai que mora o grande perigo: o nervosismo em excesso é um convite a esbarros. e erros bobos, que podem se transformar em esquecimento de uma passagem mais complexa bem na hora da apresentação.
2 - Necessidade
A necessidade pode ser um agravante para o nervosismo, bem como pode ser um auxiliar para um grande concerto. Mas usualmente, quando o músico une o primeiro item (importância) a este segundo, é receita para desastre. 
3 - A Obra
Este é um ponto que eu sempre tenho problemas: "A Obra". Este tópico está intimamente ligado a primeiro, pois a música que você estará executando, não é sua. É de outro compositor, que a construiu para um proposito, para transmitir uma mensagem. Existe um grande desafio na execução de músicas eruditas, ainda mais quando é obra sacra, que é manter a coerência da obra. Muitos músicos caem neste ponto, são perfeccionistas e minuciosos ao ponto de não aceitarem pequenos erros, pois a música não é sua, e atribui a si o dever de realizar uma performance minimamente decente, e sendo perfeccionista, não aceita nada que seja "ao menos como os estudos em casa" (ou seja, impecável).
4 - Preparo
E aqui entra o último tópico. Não há preparo técnico que consiga suplantar tamanha pressão psicológica auto-infringida. O músico se prepara, dias, semanas, as vezes meses para executar aquela cadência com  perfeição, para que cada contraponto e cada voz soe de forma diferente e única, para que a público consiga perceber as nuances entre as vozes daquela fuga, ou a sutileza na finalização de uma frase ou falsa re-exposição temática. Mas na hora da apresentação, não é o que acontece. A pressão psicológica auto-infringida trava, e coloca todas as horas de preparo no lixo. 

Este problema, é muito comum, cada pessoa aprende a lidar com ele ao longo da vida. Algumas pessoas, muito talentosas, acabam se afastando dos palcos por medo. O ideal, é conversar com alguém sobre isso, com seu professor, amigos músicos, ou mesmo buscar orientação de um psicologo. O ideal é que aprenda lidar com isto de forma natural, não tome remédios para ansiedade sem acompanhamento de um psicologo E um médico, pois este pode ser um caminho sem volta, uma vez que estamos falando de um fator psicológico.

É fato que todo músico passa por isso em algum momento da sua vida. E é fato, que muitos passa por isso cada vez que coloca o pé em um palco, por mais experientes que sejam. Mas o mais importante, é aprender a controlar os nervos e ficar sob-controle para dar o seu melhor quando for realizar sua performance. 

segunda-feira, 28 de março de 2016

Estilo e forma musical para comunicar no âmbito litúrgico

A música permeia a sociedade deste os tempos antigos, sempre foi usada para tudo, desde recreação a rituais religiosos. Este fato tem muito a ver com o impacto que esta proporciona às pessoas envolvidas. Utilizamos música para relaxar, para empolgar, para pensar e filosofar. Utilizamos músicas para atingir o divino, e até mesmo para guerra, impulsionando a infantaria ou inflamando o povo, como Hitler já bem sabia. É fato que o ser humano, assim como a maioria dos animais, possui uma ligação íntima com a música e que a sua forma e estilo tem muito a ver com o que se quer comunicar.

A igreja percebeu isso desde os seus primórdios. De uma forma mais rudimentar, a música era utilizada na época do antigo testamento, mas foi somente a partir do desenvolvimento de instrumentos mais complexos e o amadurecimento da escrita musical e toda sua teoria, em grande parte na idade média e renascença, que estilo e forma foram utilizados de modo mais complexo e amplo para transmissão de uma determinada mensagem. Não que a forma e estilo da música nos tempos antigos não estavam ligados a mensagem, certamente que sim, porém com a erudição toda a gama de sons passa a ser utilizada de modo direcionado para obtenção de um determinado momento ou clima, levando as pessoas à reflexão. Sabe-se, por exemplo, que muitos órgãos de tubos da Europa são projetados com posicionamento estratégicos de seus tubos, de forma a proporcionar um sentimento de penitência ao crente que estava na igreja. Não somente os instrumentos passam a ser construídos com propósitos específicos, modelando seus timbres, como também as obras passam a ser construídas com forma e estilo específico para transmitir uma mensagem.

Sendo assim, a música deve ser utilizada de forma coesa, principalmente no ambiente religioso. Obras são compostas com tonalidade e estilo específico para cada período do calendário religioso. Bach, um dos maiores (se não o maior) compositores que este mundo já viu, compôs uma série de obras visando o calendário da igreja. Basicamente, Bach transcreveu o evangelho em música. Mas o ponto focal não são as obras em si, mas seu estilo e as figuras de linguagem presentes no arranjo e contraponto. Letra e música devem casar, a letra leva a uma reflexão mas ela por si só não garante a completa reflexão acerca do que está sendo cantado. Devido a isto sempre fui um grande defensor das obras clássicas presentes no Hinário Luterano, já esquecido em muitas igrejas ditas tradicionais.

Música não é apenas som, música é o som organizado para um proposito maior, e principalmente no âmbito litúrgico, letra e música precisam andar em conjunto para o momento de reflexão que o período requer. Ideal para esta reflexão é o período de paixão e páscoa, pois temos em três dias uma grande mudança no momento litúrgico (morte x vida). As obras de paixão apresentam em sua maioria um andamento moderado e tonalidades menores, pois não apenas a letra remete ao sofrimento de Cristo na cruz, mas também o arranjo e melodia se encaixa com o momento de reflexão. Cristo está morrendo, o Salvador foi pregado em uma cruz e seus seguidores não fazem ideia do que vai acontecer. O pecado do ser humano levou a este incidente. A música deve transparecer esta reflexão não apenas em sua letra, mas em seu arranjo como um todo, pois caso contrário, a reflexão não será completa e o objetivo de admoestação não será atingido, pois de acordo com a Palavra, são os pecados da humanidade que levaram Cristo à Cruz (e é esta a reflexão necessária para o período). Em contraponto as obras da paixão, as obras compostas para o domingo de páscoa apresentam andamentos mais alegres, tonalidades maiores e mais brilhantes. O arranjo é feito de forma a casar com a letra e levar a reflexão e revelação de que Cristo foi ressuscitado.


Com este exemplo, podemos perceber a importância do correto uso da forma e estilo musical para transmissão de uma mensagem. Sem esta preocupação, música se torna apenas canto, apenas "algo legal e bonito", não levando a completa reflexão a qual é destinada no âmbito litúrgico. Muito
cuidado deve ser tomado com a escolha das músicas, e inclusive com a tradução de letras, pois música não é apenas letra, e não é apenas arranjo (forma e estilo), é o casamento perfeito entre este dois e o momento litúrgico. Este deve ser o tripé da música sacra, se um pé falhar, a reflexão não acontece da forma esperada e a mensagem não é transmitida.


Alguns Artigos interessantes abordando temas relacionados:

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Andamento, tempo e a interpretação - Parte 1

Isto é fonte de muita discussão entre músicos, sejam eles profissionais ou amadores. Muitas vezes alunos de música perguntam qual a "velocidade" que uma determinada obra deve ser executada, e como devem interpreta-la. Nesta pequena sequência de "artigos", pretendo dar algumas dicas de como interpretar uma obra com base nas informações presentes na partitura, em seu período e estilo.


 Antes de prosseguirmos, devemos relembrar na teoria musical, o que é tempo e andamento.


Tempo do compasso

O tempo (Time Signature, no inglês), é basicamente a indicação de quantas notas valendo um tempo caberão dentro de um compasso, sendo indicado na forma de uma fração, onde:

  • Numerado: Indica quantos tempos cabem em um compasso
  • Denominador: Indica qual nota vale um tempo na marcação do metrônomo
A maior fonte de confusão, sempre aparece com o denominador. Abaixo segue uma imagem que irá ajudar a entender melhor.

Observe que cada nota possui um número associado. Este número, é utilizado para definir qual a nota que valerá um tempo no compasso. Sendo assim, um compasso 4/4 terá quatro tempos, sendo que a nota que vale um tempo é a semínima (nota número 4 no diagrama anterior). Um compasso 3/2, terá três tempos, sendo que a nota que vale um tempo é a mínima (nota número 2 no diagrama anterior).

Sendo assim, o tempo do compasso serve para auxiliar na definição do andamento de uma música, uma vez que ele define qual nota valerá um tempo, porém, não é somente isto.

Ainda existem os compassos compostos, que não irei abordar neste momento, mas como exemplo podemos pegar um compasso 6/8, como presente na sonata n9 de Mozart. Este é um compasso composto binário que é subdividido em dois tempos formado por três colcheias (fechando os "6 tempos"), desta forma, a nota que vale um tempo é uma semínima pontuada (nota n4 no diagrama anterior, com um ponto de aumento).


O tempo forte

A primeira nota de um compasso (inclui-se pausa também) cairá no chamado tempo forte, sendo assim, esta nota deverá ser um pouco mais acentuada que as demais notas do compasso. É claro, você não irá sair tocando todas as primeiras notas de compasso mais fortes que as demais, a questão aqui envolvida é muito mais subjetiva, e irei abordar na segunda parte deste "artigo".

Andamento

O andamento é nada mais como a velocidade que você deve executar uma obra. Muitas músicas possuem a indicação de andamento anotada junto a indicação de compasso. Existem várias formas de indicar o andamento de uma obra, podendo ser desde os BPM em um metrônomo, até a simples indicação "verbal", como andante ou allegro, por exemplo. Na figura abaixo, temos um exemplo com duas formas de indicação de andamento. A primeira indica que a música deve ser tocada com o andamento allegro, que situa-se entre 120 e 168BPM, e a segunda, indica que a música deve ser executada com um andamento presto, porém, observem que é indicado que a mínima seja utilizada como base de tempo, ou seja, a mínima deve valer um tempo, e o andamento de execução da obra deve ser 68BPM, ou seja, as semicolcheias que aparecem ao longo desta obra deverão ser executadas em uma velocidade muito elevada.




Na segunda parte, serão dadas algumas dicas de como utilizar estas informações para interpretar corretamente (ou o melhor possível) uma obra, e como alia-las ao contexto, forma e período musical a qual a obra pertence.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Planejamento é preciso

Não existe evolução sem planejamento e sem força de vontade. O planejamento está no cerne de tudo, desde grandes corporações ao estudo de um instrumento, então podemos perceber que um músico bem organizado tende a evoluir com maior rapidez, ou de forma mais sólida. Mas será que aquilo que é planejado sempre será executado a risca? Particularmente eu tenho visto que não.

Estive dando uma olhada em posts anteriores, e percebi que nem sempre segui com o que havia planejado. Neste post onde comemoro um ano de Um pianista "desajeitado" falo de um planejamento. A ideia era concluir duas obras relativamente complexas até o meio do ano, e se possível ainda gostaria de concluir uma terceira. Passou o tempo, e fiz apenas 33% do planejado. Será que realmente planejar é importante? Até que ponto o planejamento ajuda na evolução dos estudos?


Planejar é preciso


Particularmente eu acredito que mesmo você não conseguindo atingir as metas planejadas, elas devem ser colocadas. Sempre deve-se planejar e definir metas nos seus estudos. Sem elas você não tem um norte, e acaba não se focando em pontos importantes e necessários. Um professor de piano (ou qualquer instrumento) é importante justamente para auxiliar neste planejamento e efetuar ajustes e correções nele no decorrer do ano, além é claro, de corrigir erros. Portanto, mesmo não atingindo 100% do planejado, talvez sem a definição de metas não teria atingido sequer 1%.

Estipule metas, planeje. Mesmo que ao final você não tenha chegado a totalidade de seus objetivos, sempre terá conseguido evoluir. Organização, paciência, perseverança, são necessários para dar continuidade nos estudos, e o planejamento lhe ajuda a conquistar estas qualidades e manter-se no rumo.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Insônia - Uma oportunidade para estudar

A insônia é um problema que afeta em média, 25% dos adultos. Um dos principais fatores que causam a insônia é ansiedade, agravada pelo corre-corre do mundo moderno e pelas cobranças. Notas na faculdade, metas no trabalho, tempo para a família, tudo isto geram preocupações que podem se tornar ansiedade e levar a pessoa a um quadro de insônia. Você literalmente, não consegue pregar o olho.

Eu tenho muito problema com insônia. Faziam meses que não sentia na pele a dificuldade de dormir, acho que ainda estava com a mente em ritmo de férias, porém bastou iniciarem as provas e trabalhos acadêmicos que esta velha e infame companheira volta a atormentar minhas noites. Desde cálculo a circuitos elétricos, tudo se passa na mente de quem tenta acalmar-se e dormir. Quando você consegue aquietar a mente, vontade de ir ao banheiro, e o ciclo reinicia.

A noite passada foi o episodio mais recente. Conclui uma prova de estatística e retornei para casa quase uma hora antes do termino da aula, achando que poderia descansar um pouco. Quem disse que conseguia dormir? Já era 1 hora da manhã, quando desisti de lutar contra a falta de sono, munido de meus fones de ouvido fui ao Clavinova tocar Bach.



Transformando a insonia na amiga dos seus estudos, e acabando com ela!

Interessante como uma aula de teoria eletromagnetica tem o poder de transporta-lo para uma rede, em uma praia paradisíaca, sendo embalado pelo vendo que bate nas palmeiras, junto com uma canção leve e calma ao fundo. Por mais que queira ficar acordado, você sente muito sono, mas o que causa isso?

Simplesmente o fato de você precisar prestar atenção em tantos detalhes, e não poder desviar o olhar por um segundo sequer, causa um desgaste e um estresse  muito grande em sua mente. Este estresse por sua vez, é que faz o sono vir. Afinal, concentração extrema ligado a atividade intelectual cansa, e a única forma de repor a energia gasta é dormindo.

Portanto, ótima forma de você acabar com a insônia é estudando, seja cálculo, história, ou mesmo música. Eu escolhi a música, pois o simples fato de ler obras contraponteadas já estressante, junto isto a um andamento muito lento para conseguir ler corretamente as notas, e ao fato deste tipo de música relaxar, o sono retorna como se você tivesse tomado um comprimido de roypnol.

Portanto, fica a dica. Em noites de insônia, leia a primeira vista algumas obras de Bach, bem devagar.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Direitos autorais na música - Falta de visão?



Já fazem quase duas décadas que a internet faz parte do cotidiano de todos. Ela já está virtualmente disponível em todos os lugares, ao alcance de muitas pessoas, seja através de lan houses ou mesmo em escolas e no trabalho.

Esta imagem demonstra bem
o que é o P2P!
O fato é que nas duas últimas décadas temos tido um boom tecnológico, que ultrapassa o simples uso do computador e a internet. Todos nós estamos de uma forma ou de outra conectados, seja pelo facebook, MSN, Google Talk ou e-mail. Mesmo os celulares mais baratos, como um C2 ou X2 da Nokia possuem Instant Messenger, acesso a redes sociais e a internet, mesmo que de uma forma mais simplificada, eles mantém você conectado com o resto do planeta.

Mas, o que eu quero dizer com isto? Por um acaso isto aqui não um blog voltado a música com foco no piano?

Pois bem... Tem tudo a ver. Quem nunca baixou uma MP3 da internet? O Download de músicas via P2P não é algo novo, já existia desde 1998 (ou antes), tendo mudado de forma, mas nunca se extinguido. Passamos pelo napster, kazaa, e-mule (Edonkey 2000 entra aqui), Trackers de torrent, e por fim na última empreitada foram os sites de compartilhamento, como o Mega Upload.

Antigamente, trocávamos músicas pelo MiRC. Alguém é desta época? Recebi, inclusive, algumas gravações de Vladmir Horowitz desta forma. Gravações que custam uma pequena fortuna (custavam) na livraria Cultura. Mas onde quero chegar?

Bom, quero chegar um pequeno diálogo sobre os direitos autorais.


O que são direitos autorais?

Primeiro quero esclarecer que não sou advogado, e não tenho domínio em leis ou mesmo nesta linguagem. Portanto, abordarei de forma simples e direta.
Quando alguém compõe uma obra e a registra, passa a ser dona desta obra. No atual modelo, é permitido que o detentor destes direitos cobre por execução da obra, seja em qual meio for, e cobre pela distribuição da obra. Isto no papel parece maravilho, pois o músico colhe os frutos do seu trabalho, certo? Logo mais vamos ver que não é bem assim...



Gravadoras e os direitos

Foto de um antigo estúdio
Pois bem, nesse ponto surgem as gravadoras, devido a invenção do disco/gramophone. Antigamente não existia outra forma de registrar obras em áudio, a não ser pelo antigo disco de vinil. Os equipamentos de gravação eram caros, rudimentares e de difícil manuseio. Desta forma, algumas empresas começaram a disponibilizar seus serviços para gravação de obras musicais.

Neste ponto começa a se formar a indústria áudio-visual, e as gravadoras se estabelecem. Basicamente as gravadoras selecionavam os melhores músicos e faziam-lhes um acordo. Estes deveriam ceder-lhes os direitos de sua obra em troca de ter-las gravadas e distribuídas em todas as lojas do país ou mesmo do mundo. Eles ganhariam indefinidamente uma pequena porcentagem de cada disco vendido, o que poderia ser bem lucrativo.

E realmente foi. Vejam como as gravadoras cresceram e tornaram-se poderosas!



Final da história


No final da história, as gravadoras continuam detendo os direitos das músicas. Podemos pegar um exemplo o grupo Beatles. As suas obras são protegidas até que o último membro da banda venha a falecer, e mesmo assim, após isto, a gravadora e os familiares continuam tendo direitos sobre a gravação durante os 70 anos seguintes, mantendo assim sua "renda infinita", sem muito esforço.

Disco de ouro, prêmio conferido
a artistas que venderam mais de
um milhão de cópias de um álbum.
Pense quantos CD's ainda são vendidos da Legião Urbana? Agora pense que cada CD vendido tem uma pequena porcentagem destinada a família (que não faz ou fez parte direta do estudo e composição da obra), e outra grande parte fica com a gravadora que detém os direitos.

Agora pense numa grande gravadora como Sony Music ou a Universal Music, que possui centenas de músicos consagrados em sua carta de músicos. Quantos milhões esta gravadora ganha apenas em direitos sobre músicas escritas a pelo menos 70 anos atrás? E pasmem, continuarão tendo direito por pelo menos mais uns 50 anos...

Mas elas estão preocupadas com isto, pois inevitavelmente vai acabar. As pessoas não querem mais pagar pelo conteúdo que podem ter de graça na internet, e muitas vezes superior.

Quem aqui já comprou uma música em MP3? A algum tempo as músicas vendidas vinha com bitrate horrível (128k) e ainda com limitações de DRM. Você precisava escolher onde iria escutar a música e instalar o certificado, depois, não poderia mais escutar em outro lugar a não ser comprasse novamente a música.

Além disto, temos a demora. Normalmente o conteúdo para venda online sob distribuição digital demora para ser liberado. Estamos na era digital, onde tudo é rápido, o consumidor não quer mais esperar...



O Modelo é falho

E por fim, aponto que este modelo é falho. Ele se estruturou sobre um momento histórico, onde a cópia de discos era complicada e não valia muito a pena. Com o surgimento da Fita K7 e do CD, isto muda. As cópias passam a ser corriqueiras, e da mesma forma que você tira uma foto-cópia de algumas páginas de um livro ou uma partitura para estudar, você vai fazê-lo com um CD, selecionando as músicas que você mais gosta.



Custos de gravação

Antigamente, fazer uma boa gravação custava algumas centenas de milhares de dólares. Hoje, com 5.000 reais você grava um CD com qualidade superior aos CD's da década passada, que poderá ser escutado por muita gente!



Mas e a distribuição?

A internet está ai a serviço dos músicos independentes. Não há necessidade de fazer milhares ou milhões de cópias, gerando um contrato milionário.
Site utilizado por muitos músicos
independentes para distribuir
seu material.

Quem for bom, sobrevivera neste mar. Quem não for, irá amargar, com ou sem uma grande gravadora ao seu lado.

Este antigo modelo está indo para o fim, e os músicos possivelmente serão mais independentes no futuro. Isto também gera agilidade, pois pula grande parte da burocracia de uma gravadora, podendo assim liberar o trabalho de forma mais rápida e ganhar dinheiro através de doações no website (se o trabalho é bom, com certeza vai ter alguém disposto a pagar por ele) e com shows.

A propósito, o artista deveria ganhar por shows ou por trabalho, e não indefinidamente por um trabalho feito a décadas atrás.



Licenciamento e direitos do autor.

Neste ponto, entra o Creative Commons. O qual garante o direito de propriedade ao autor, e lhe da escolhas de licenciamento que permitem desde a livre distribuição até alterações. Você pode restringir alterações e até o uso comercial da obra, desta forma, para que seja usada comercialmente somente mediante liberação do autor ou algum contrato firmado.



A meu ver parece bom. Garante o direito da obra, e da formas para que o músico possa viver com seu trabalho. Mas somente vai enriquecer quem for bom o suficiente para lotar shows ou teatros. Nada mais digno, ganhar com o seu trabalho. E não com o trabalho dos outros por tempo indefinido!



OBS: Para aqueles que vierem falar em "aposentadoria", não se esqueçam que a previdência permite o pagamento do INSS de forma autônoma. Muitos músicos fazem isto, e acho que TODOS deveriam fazer.