Gravações - Repertório

As obras abaixo estão prontas e disponíveis para apresentações, concertos e recitais.


Nem todas as gravações foram atualizadas, portanto, algumas obras já possuem uma interpretação mais apurada.






Maiores informações, no Link Repertório e Downloads/Gravações

quinta-feira, 19 de maio de 2016

E o tal do nervosismo

É fato que todo musico/estudante, alguma vez na vida precisou ou precisará lidar com o nervosismo. Talvez o problema não seja o fato de apresentar-se a um grupo de pessoas, tampouco o fato de ser alvo do olhar e crítica das pessoas. Mas então, o que trava um músico ou estudante na hora de fazer uma apresentação? Seria isso um mistério? Talvez sim, talvez não. O fato é que cada pessoa poderá apontar um motivo, mas pelo que percebo todos eles retornam a um ponto: A importância do que está sendo realizado, e o que isto significa.

O mistério do nervosismo

A apresentação em si não é o problema. Não existe diferença entre o musico executar uma peça na segurança de seu lar, para sua família, ou para o público. Mas então, o que trava o músico? Uma mistura de fatores, irei enumerar alguns deles neste post, e imagino que muitas pessoas irão se identificar com eles, pois acredito que a fonte de nervosismo para palestras e apresentações variadas acabam tendo o mesmo fundo.

1 - Importância
A importância desta apresentação, seja ela uma grande concerto ou apenas um sarau de sua escola de musica, mexe diretamente com os nervos do músico. Por mais habilidoso que o músico seja, por mais preparado que esteja, se este for perfeccionista a tal ponto de não aceitar seus próprios erros, é um convite para o nervosismo. E é ai que mora o grande perigo: o nervosismo em excesso é um convite a esbarros. e erros bobos, que podem se transformar em esquecimento de uma passagem mais complexa bem na hora da apresentação.
2 - Necessidade
A necessidade pode ser um agravante para o nervosismo, bem como pode ser um auxiliar para um grande concerto. Mas usualmente, quando o músico une o primeiro item (importância) a este segundo, é receita para desastre. 
3 - A Obra
Este é um ponto que eu sempre tenho problemas: "A Obra". Este tópico está intimamente ligado a primeiro, pois a música que você estará executando, não é sua. É de outro compositor, que a construiu para um proposito, para transmitir uma mensagem. Existe um grande desafio na execução de músicas eruditas, ainda mais quando é obra sacra, que é manter a coerência da obra. Muitos músicos caem neste ponto, são perfeccionistas e minuciosos ao ponto de não aceitarem pequenos erros, pois a música não é sua, e atribui a si o dever de realizar uma performance minimamente decente, e sendo perfeccionista, não aceita nada que seja "ao menos como os estudos em casa" (ou seja, impecável).
4 - Preparo
E aqui entra o último tópico. Não há preparo técnico que consiga suplantar tamanha pressão psicológica auto-infringida. O músico se prepara, dias, semanas, as vezes meses para executar aquela cadência com  perfeição, para que cada contraponto e cada voz soe de forma diferente e única, para que a público consiga perceber as nuances entre as vozes daquela fuga, ou a sutileza na finalização de uma frase ou falsa re-exposição temática. Mas na hora da apresentação, não é o que acontece. A pressão psicológica auto-infringida trava, e coloca todas as horas de preparo no lixo. 

Este problema, é muito comum, cada pessoa aprende a lidar com ele ao longo da vida. Algumas pessoas, muito talentosas, acabam se afastando dos palcos por medo. O ideal, é conversar com alguém sobre isso, com seu professor, amigos músicos, ou mesmo buscar orientação de um psicologo. O ideal é que aprenda lidar com isto de forma natural, não tome remédios para ansiedade sem acompanhamento de um psicologo E um médico, pois este pode ser um caminho sem volta, uma vez que estamos falando de um fator psicológico.

É fato que todo músico passa por isso em algum momento da sua vida. E é fato, que muitos passa por isso cada vez que coloca o pé em um palco, por mais experientes que sejam. Mas o mais importante, é aprender a controlar os nervos e ficar sob-controle para dar o seu melhor quando for realizar sua performance. 

domingo, 1 de maio de 2016

Desenhos antigos e a música Erudita



Quem cresceu nos anos 80 e 90 deve ter assistido muito os desenhos do Pica-Pau, Pernalonga e Tom e Jerry. O fato é que estes desenhos foram produzidos em uma época que não existia esta onda de "politicamento correto" que nos cerca. Os desenhos muitas vezes eram recheados de violência gratuita, quando um gato persegue um rato e o enche de pancadas, ou mesmo conotação sexual, quando o coelho se veste de mulher para enganar o Eufrazino.

Mas uma coisa temos de concordar, os desenhos daquela época eram engraçados e divertidos a beça. Mas muito mais que isso, devo a eles o "despertar para musica erudita". Produtores em geral, e pessoas ligadas diretamente a produção das animações eram ouvintes de música erudita, e muitas vezes, apaixonados. Estes, por vezes levaram a música as animações, não só como trilha sonora de fundo, mas também em episódios especiais que vinham a homenagear algum grande compositor.

Foram episódios como estes que me fizeram enxergar um mundo novo da música, até então desconhecido. Em uma época que a internet começava a se popularizar no Brasil (olá conexões discadas), foi quando consegui descobrir o nome das músicas e fazer o download das primeiras MP3.

Hoje em dia, as crianças não tem mais esta sorte. Os desenhos modernos, ao meu ver, não instigam a curiosidade da criança para este mundo da música. Fomos acostumados a assistir Pica-Pau, Pernalonga, Tom e Jerry e tantos outros com trilha sonora erudita, passando por grandes compositores como Strauss, Chopin, Bach, Liszt, Mozart. Quem não lembra do episódio em que Tom "aprende valsa em 6 lições", com Johann Strauss? 

E episódios como o de Tom e Jerry, em que Jerry morava dentro do Piano (e tom executa a Rhapsodia Hungara n2)? Ou então, este que é um dos meus preferidos: "Pica-Pau Momentos Musicais de Chopin"? 


São inúmeros os episódios destes desenhos que fazem homenagens aos grandes compositores. Pica-Pau mesmo possui diversos episódios especiais, e muitos outros que fazem um uso extensivo de música erudita. Pernalonga também possuí muitos episódios, onde ele caracteriza desde um pianista executando Liszt até um Maestro regendo orquestra. E não devemos esquecer de Tom e Jerry, que fazia uso intenso de Mozart e Chopin em sua trilha sonora.



E hoje em dia, o que os desenhos utilizam? Musica eletrônica composta apenas para o desenho, muitas vezes de qualidade pífia, ou ainda, sequer utilizam música, limitando-se apenas a sonoplastia necessária para a animação.

O que eu digo disto, caro leitor? É hora de comprar coletâneas dos antigos desenhos para seus filhos e sobrinhos.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Neste último domingo, dia 25 de abril, ocorreu mais um concerto regular da Orquestra Aurora, na comunidade Concórdia. Em breve, irei liberar minhas impressões a respeito do concerto.

Em um post anterior, havia comunicado aos leitores que faria uma pequena participação neste concerto, cuja a temática central foi Bach e sua Obra. 

Para este concerto, preparei o Prelúdio e Fuga n2 do Cravo Bem Temperado, além de ter realizado uma participação junto a orquestra na obra de fechamento do concerto, Jesus Alegria dos Homens.

Infelizmente, não dispunha de câmera para gravar este concerto, mas consegui um vídeo do Prelúdio n2. Acredito que em breve, a Orquestra Aurora deve publicar alguns vídeos. Conforme estes forem liberados, eu vou colocando-os aqui no Blog.


Abaixo, para quem quiser conferir, Prelúdio n2 do CBT Vol1, de Bach.


terça-feira, 5 de abril de 2016

Pianista Desajeitado participa de Concerto da Orquestra Aurora

No dia 24 de abril, ocorre na Comunidade Evangelica Luterana Concórdia (IELB) de São Leopoldo/RS mais um concerto regular da Orquestra Aurora. Desta vez, a temática do concerto é J. S. Bach e sua obra. Serão apresentadas obras como Prelúdios e Fugas do CBT, Jesus Alegria dos Homens e Minuetos.

Onde: Igreja Evangelica Luterana Concórdia de São Leopoldo/RS
Quando: Dia 24 de abril, as 18 horas
Entrada Franca


Sobra a Orquestra Aurora
"A orquestra AURORA surgiu inicialmente do trabalho conjunto de Caroline Carvalho, Thiago Kreutz e Kauê Trojan. Ela é a continuação de trabalhos iniciados há anos atrás buscando colocar em cena um trabalho de música, de forma alternativa aos grandes teatros.
Muitas pessoas colaboraram ao longo dos anos.
No final de 2014, o grupo batiza-se de "Aurora das Artes", e a orquestra de "Orquestra AURORA" 
O grupo é aberto: a cada apresentação aceita-se a participação de pessoas novas que estejam interessadas, independentemente de idade ou formação." (fonte: http://www.auroradasartes.com/#!sobre-2/c3fg, 2016)

segunda-feira, 28 de março de 2016

Estilo e forma musical para comunicar no âmbito litúrgico

A música permeia a sociedade deste os tempos antigos, sempre foi usada para tudo, desde recreação a rituais religiosos. Este fato tem muito a ver com o impacto que esta proporciona às pessoas envolvidas. Utilizamos música para relaxar, para empolgar, para pensar e filosofar. Utilizamos músicas para atingir o divino, e até mesmo para guerra, impulsionando a infantaria ou inflamando o povo, como Hitler já bem sabia. É fato que o ser humano, assim como a maioria dos animais, possui uma ligação íntima com a música e que a sua forma e estilo tem muito a ver com o que se quer comunicar.

A igreja percebeu isso desde os seus primórdios. De uma forma mais rudimentar, a música era utilizada na época do antigo testamento, mas foi somente a partir do desenvolvimento de instrumentos mais complexos e o amadurecimento da escrita musical e toda sua teoria, em grande parte na idade média e renascença, que estilo e forma foram utilizados de modo mais complexo e amplo para transmissão de uma determinada mensagem. Não que a forma e estilo da música nos tempos antigos não estavam ligados a mensagem, certamente que sim, porém com a erudição toda a gama de sons passa a ser utilizada de modo direcionado para obtenção de um determinado momento ou clima, levando as pessoas à reflexão. Sabe-se, por exemplo, que muitos órgãos de tubos da Europa são projetados com posicionamento estratégicos de seus tubos, de forma a proporcionar um sentimento de penitência ao crente que estava na igreja. Não somente os instrumentos passam a ser construídos com propósitos específicos, modelando seus timbres, como também as obras passam a ser construídas com forma e estilo específico para transmitir uma mensagem.

Sendo assim, a música deve ser utilizada de forma coesa, principalmente no ambiente religioso. Obras são compostas com tonalidade e estilo específico para cada período do calendário religioso. Bach, um dos maiores (se não o maior) compositores que este mundo já viu, compôs uma série de obras visando o calendário da igreja. Basicamente, Bach transcreveu o evangelho em música. Mas o ponto focal não são as obras em si, mas seu estilo e as figuras de linguagem presentes no arranjo e contraponto. Letra e música devem casar, a letra leva a uma reflexão mas ela por si só não garante a completa reflexão acerca do que está sendo cantado. Devido a isto sempre fui um grande defensor das obras clássicas presentes no Hinário Luterano, já esquecido em muitas igrejas ditas tradicionais.

Música não é apenas som, música é o som organizado para um proposito maior, e principalmente no âmbito litúrgico, letra e música precisam andar em conjunto para o momento de reflexão que o período requer. Ideal para esta reflexão é o período de paixão e páscoa, pois temos em três dias uma grande mudança no momento litúrgico (morte x vida). As obras de paixão apresentam em sua maioria um andamento moderado e tonalidades menores, pois não apenas a letra remete ao sofrimento de Cristo na cruz, mas também o arranjo e melodia se encaixa com o momento de reflexão. Cristo está morrendo, o Salvador foi pregado em uma cruz e seus seguidores não fazem ideia do que vai acontecer. O pecado do ser humano levou a este incidente. A música deve transparecer esta reflexão não apenas em sua letra, mas em seu arranjo como um todo, pois caso contrário, a reflexão não será completa e o objetivo de admoestação não será atingido, pois de acordo com a Palavra, são os pecados da humanidade que levaram Cristo à Cruz (e é esta a reflexão necessária para o período). Em contraponto as obras da paixão, as obras compostas para o domingo de páscoa apresentam andamentos mais alegres, tonalidades maiores e mais brilhantes. O arranjo é feito de forma a casar com a letra e levar a reflexão e revelação de que Cristo foi ressuscitado.


Com este exemplo, podemos perceber a importância do correto uso da forma e estilo musical para transmissão de uma mensagem. Sem esta preocupação, música se torna apenas canto, apenas "algo legal e bonito", não levando a completa reflexão a qual é destinada no âmbito litúrgico. Muito
cuidado deve ser tomado com a escolha das músicas, e inclusive com a tradução de letras, pois música não é apenas letra, e não é apenas arranjo (forma e estilo), é o casamento perfeito entre este dois e o momento litúrgico. Este deve ser o tripé da música sacra, se um pé falhar, a reflexão não acontece da forma esperada e a mensagem não é transmitida.


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