Gravações - Repertório

As obras abaixo estão prontas e disponíveis para apresentações, concertos e recitais.


Nem todas as gravações foram atualizadas, portanto, algumas obras já possuem uma interpretação mais apurada.






Maiores informações, no Link Repertório e Downloads/Gravações

terça-feira, 28 de junho de 2016

Música é lógica ou emoção?

Esta é uma pergunta que se não todos, a grande maioria dos alunos me fazem, e na última semana entrei e um debate deveras interessante com um dos alunos de piano a respeito disto. Mas então, música é o que? Ela é logica, emocional ou uma mistura dos dois?



Entendendo o fundo da discussão 

O cerne desta discussão nos tempos modernos está ligada a eterna "briga" entre as ciências exatas e humanas. Não é de hoje que as universidades se separam em quatro grandes blocos: Ciências Exatas, Judiciário, Saúde e Humanas (sim, sei que judiciário está em humanas). Vemos esta polarização quase que diariamente na universidade, com pequenas rixas entre os futuros engenheiros, sociologos, psicologos, administradores, advogados, médicos e etc... O ponto focal aqui é sempre o ego dos envolvidos. Cada um acredita que seu curso é o mais difícil, como se isto fosse indicar a capacidade do profissional ou mesmo a qualidade do conhecimento envolvido. Como se conhecimento e erudição, pudessem ser mensurados qualitativamente entre as amplas áreas de conhecimento. Mas digo uma coisa, todo o tipo de conhecimento, toda a área do conhecimento humano, é importante. Cada pecinha faz com que a humanidade avance. Desde o engenheiro que desenvolve um chip até o sociólogo que analisa o comportamento humano e propõe melhorias a sociedade.


Mas e a música?

Entendendo isto, que na realidade o problema está nas pessoas, que querem se auto-afirmar através da área de conhecimento humano que mais se identificou, nós temos a música. A música que acompanha a sociedade desde seus primórdios, e que permeia a natureza, vem sendo jogada de um lado ao outro do conhecimento humano a séculos. O fato é que a música não pode ser definida como "puramente de humanas" e nem "puramente exata", pois existem traços de ambas as grandes áreas do conhecimento.

Música, permeia a natureza, vemos animais de diversos tipos fazendo música, e estes em sua maioria não possuem um cérebro com um córtex pré-frontal desenvolvido, dotado de capacidade para realizar analises e pensamento lógico complexo. Sabemos que a música (humana) foi desenvolvida ao longo dos séculos e milênios, adquirindo forma e escrita (leia o artigo "A importância da escrita musical")  recebendo um aspecto lógico e exato.

São diversas regras matemáticas incutidas na música, que vão desde a simples separação dos tempos nos compassos até a organização harmônica que da sentido a música. Em um nível mais alto e mais complexo de abstração, unimos todas estas informações e conseguimos interpretar a obra (leia o artigo sobre interpretação musical). Ou seja, a interpretação da obra que despertará sentimentos na plateia pode ser completamente sistematizada e lógica, fazendo com que a plateia aplauda o interprete e entenda-o como alguém de estrema sensibilidade.

Uma comprovação deste fato é a de que computadores com algoritmos específicos ou redes neurais conseguem compor músicas, ou executar obras da mesma forma que um humano consegue, simplesmente devido a possibilidade de analise puramente lógica da música.


Mas e todos os pianistas que executam obras sem realizar analise?

fMRI do cerebro ao executar música
Fonte: Wikipedia
O cérebro humano é extremamente complexo, e possui uma capacidade de "paralelismo" gigantesca. Cada vez que o pianista pressiona uma tecla, de uma determinada forma, é uma rede neural diferente que é acionada. Desta forma, ao executar uma passagem de uma música, temos milhares de pulsos elétricos acontecendo ao mesmo tempo no cérebro, e em diversas áreas distintas. Estudos com ressonância magnética funcional (em tempo real) demonstraram que uma pessoa executando uma música excita todas as áreas do cérebro, desde o córtex pré-frontal até áreas mais ligadas a emoção. O que acontece é que um músico ao executar uma obra, não só se baseia em seus estudos sobre a mesma, mas também traz consigo toda uma carga de experiências, desde uma memoria de algum outro interprete executando a mesma música, até sentimentos ligados a uma determinada tonalidade ou mesmo a tal música.

Sendo assim é seguro afirmar que fazer e executar música é uma união de tudo. Música é onde exatas e humanas se encontram, convivem muito bem, e precisam trabalhar juntas. Por isso temos sociólogos, médicos e engenheiros músicos. Por isso temos até mesmo pugilistas músicos.


Conteúdo interessante sobre o assunto:

Música e a Matemática
http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/285

Música ajuda a moldar pessoas?
http://josiasdiegomartins.blogspot.com.br/2012/10/a-musica-ajuda-moldar-pessoas-parte-1.html

Quando iniciar o ensino de música?
http://josiasdiegomartins.blogspot.com.br/2013/01/quando-iniciar-o-ensino-de-musica-parte.html

terça-feira, 21 de junho de 2016

Vídeo - Como ler música

O excelente vídeo abaixo apresenta uma forma bem didática para aprender a ler uma partitura musical. Vale muito a pena para quem está iniciando no aprendizado de música. O vídeo está em inglês, mas possui legenda em Português.



quinta-feira, 19 de maio de 2016

E o tal do nervosismo

É fato que todo musico/estudante, alguma vez na vida precisou ou precisará lidar com o nervosismo. Talvez o problema não seja o fato de apresentar-se a um grupo de pessoas, tampouco o fato de ser alvo do olhar e crítica das pessoas. Mas então, o que trava um músico ou estudante na hora de fazer uma apresentação? Seria isso um mistério? Talvez sim, talvez não. O fato é que cada pessoa poderá apontar um motivo, mas pelo que percebo todos eles retornam a um ponto: A importância do que está sendo realizado, e o que isto significa.

O mistério do nervosismo

A apresentação em si não é o problema. Não existe diferença entre o musico executar uma peça na segurança de seu lar, para sua família, ou para o público. Mas então, o que trava o músico? Uma mistura de fatores, irei enumerar alguns deles neste post, e imagino que muitas pessoas irão se identificar com eles, pois acredito que a fonte de nervosismo para palestras e apresentações variadas acabam tendo o mesmo fundo.

1 - Importância
A importância desta apresentação, seja ela uma grande concerto ou apenas um sarau de sua escola de musica, mexe diretamente com os nervos do músico. Por mais habilidoso que o músico seja, por mais preparado que esteja, se este for perfeccionista a tal ponto de não aceitar seus próprios erros, é um convite para o nervosismo. E é ai que mora o grande perigo: o nervosismo em excesso é um convite a esbarros. e erros bobos, que podem se transformar em esquecimento de uma passagem mais complexa bem na hora da apresentação.
2 - Necessidade
A necessidade pode ser um agravante para o nervosismo, bem como pode ser um auxiliar para um grande concerto. Mas usualmente, quando o músico une o primeiro item (importância) a este segundo, é receita para desastre. 
3 - A Obra
Este é um ponto que eu sempre tenho problemas: "A Obra". Este tópico está intimamente ligado a primeiro, pois a música que você estará executando, não é sua. É de outro compositor, que a construiu para um proposito, para transmitir uma mensagem. Existe um grande desafio na execução de músicas eruditas, ainda mais quando é obra sacra, que é manter a coerência da obra. Muitos músicos caem neste ponto, são perfeccionistas e minuciosos ao ponto de não aceitarem pequenos erros, pois a música não é sua, e atribui a si o dever de realizar uma performance minimamente decente, e sendo perfeccionista, não aceita nada que seja "ao menos como os estudos em casa" (ou seja, impecável).
4 - Preparo
E aqui entra o último tópico. Não há preparo técnico que consiga suplantar tamanha pressão psicológica auto-infringida. O músico se prepara, dias, semanas, as vezes meses para executar aquela cadência com  perfeição, para que cada contraponto e cada voz soe de forma diferente e única, para que a público consiga perceber as nuances entre as vozes daquela fuga, ou a sutileza na finalização de uma frase ou falsa re-exposição temática. Mas na hora da apresentação, não é o que acontece. A pressão psicológica auto-infringida trava, e coloca todas as horas de preparo no lixo. 

Este problema, é muito comum, cada pessoa aprende a lidar com ele ao longo da vida. Algumas pessoas, muito talentosas, acabam se afastando dos palcos por medo. O ideal, é conversar com alguém sobre isso, com seu professor, amigos músicos, ou mesmo buscar orientação de um psicologo. O ideal é que aprenda lidar com isto de forma natural, não tome remédios para ansiedade sem acompanhamento de um psicologo E um médico, pois este pode ser um caminho sem volta, uma vez que estamos falando de um fator psicológico.

É fato que todo músico passa por isso em algum momento da sua vida. E é fato, que muitos passa por isso cada vez que coloca o pé em um palco, por mais experientes que sejam. Mas o mais importante, é aprender a controlar os nervos e ficar sob-controle para dar o seu melhor quando for realizar sua performance. 

domingo, 1 de maio de 2016

Desenhos antigos e a música Erudita



Quem cresceu nos anos 80 e 90 deve ter assistido muito os desenhos do Pica-Pau, Pernalonga e Tom e Jerry. O fato é que estes desenhos foram produzidos em uma época que não existia esta onda de "politicamento correto" que nos cerca. Os desenhos muitas vezes eram recheados de violência gratuita, quando um gato persegue um rato e o enche de pancadas, ou mesmo conotação sexual, quando o coelho se veste de mulher para enganar o Eufrazino.

Mas uma coisa temos de concordar, os desenhos daquela época eram engraçados e divertidos a beça. Mas muito mais que isso, devo a eles o "despertar para musica erudita". Produtores em geral, e pessoas ligadas diretamente a produção das animações eram ouvintes de música erudita, e muitas vezes, apaixonados. Estes, por vezes levaram a música as animações, não só como trilha sonora de fundo, mas também em episódios especiais que vinham a homenagear algum grande compositor.

Foram episódios como estes que me fizeram enxergar um mundo novo da música, até então desconhecido. Em uma época que a internet começava a se popularizar no Brasil (olá conexões discadas), foi quando consegui descobrir o nome das músicas e fazer o download das primeiras MP3.

Hoje em dia, as crianças não tem mais esta sorte. Os desenhos modernos, ao meu ver, não instigam a curiosidade da criança para este mundo da música. Fomos acostumados a assistir Pica-Pau, Pernalonga, Tom e Jerry e tantos outros com trilha sonora erudita, passando por grandes compositores como Strauss, Chopin, Bach, Liszt, Mozart. Quem não lembra do episódio em que Tom "aprende valsa em 6 lições", com Johann Strauss? 

E episódios como o de Tom e Jerry, em que Jerry morava dentro do Piano (e tom executa a Rhapsodia Hungara n2)? Ou então, este que é um dos meus preferidos: "Pica-Pau Momentos Musicais de Chopin"? 


São inúmeros os episódios destes desenhos que fazem homenagens aos grandes compositores. Pica-Pau mesmo possui diversos episódios especiais, e muitos outros que fazem um uso extensivo de música erudita. Pernalonga também possuí muitos episódios, onde ele caracteriza desde um pianista executando Liszt até um Maestro regendo orquestra. E não devemos esquecer de Tom e Jerry, que fazia uso intenso de Mozart e Chopin em sua trilha sonora.



E hoje em dia, o que os desenhos utilizam? Musica eletrônica composta apenas para o desenho, muitas vezes de qualidade pífia, ou ainda, sequer utilizam música, limitando-se apenas a sonoplastia necessária para a animação.

O que eu digo disto, caro leitor? É hora de comprar coletâneas dos antigos desenhos para seus filhos e sobrinhos.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Neste último domingo, dia 25 de abril, ocorreu mais um concerto regular da Orquestra Aurora, na comunidade Concórdia. Em breve, irei liberar minhas impressões a respeito do concerto.

Em um post anterior, havia comunicado aos leitores que faria uma pequena participação neste concerto, cuja a temática central foi Bach e sua Obra. 

Para este concerto, preparei o Prelúdio e Fuga n2 do Cravo Bem Temperado, além de ter realizado uma participação junto a orquestra na obra de fechamento do concerto, Jesus Alegria dos Homens.

Infelizmente, não dispunha de câmera para gravar este concerto, mas consegui um vídeo do Prelúdio n2. Acredito que em breve, a Orquestra Aurora deve publicar alguns vídeos. Conforme estes forem liberados, eu vou colocando-os aqui no Blog.


Abaixo, para quem quiser conferir, Prelúdio n2 do CBT Vol1, de Bach.