Gravações - Repertório

As obras abaixo estão prontas e disponíveis para apresentações, concertos e recitais.


Nem todas as gravações foram atualizadas, portanto, algumas obras já possuem uma interpretação mais apurada.






Maiores informações, no Link Repertório e Downloads/Gravações

terça-feira, 18 de março de 2014

E o pouco tempo me pegou, novamente!

E mais uma vez tenho tido pouco tempo para as atualizações do Blog.

É claro, muitas vezes isso pode soar como uma simples desculpa estapafúrdia para minimizar a minha parcela de culpa, mas a verdade é esta, atualizações no blog necessitam de tempo que vai além da simples escrita. São pesquisas sobre os temas, entendimento sobre alguns assuntos e aprofundamento teórico que muitas vezes pode levar mais de uma hora, para depois, escrever o texto e revisa-lo.

Alguns textos levam um bom tempo entre a pesquisa e a publicação, e sendo eu o único a publicar atualizações, torna a tarefa de manter o blog andando mais difícil. Nem por isto irei simplesmente fechar o blog e eliminá-lo da internet, o mesmo continuará aqui, porém a frequência de atualizações com certeza será menor neste ano, focando-se basicamente em um ou outro artigo e dica, e talvez alguma gravação, fotos e promoção de eventos ligados a música erudita e sacra.

Ainda este mês pretendo publicar uma gravação e concluir um artigo que iniciei anteriormente, porém, tudo isto depende de tempo. Iniciei a escrita de minha tese de conclusão de curso, então basicamente meus esforços estão nesta direção.

Se der tudo certo, ao final do ano irei publicar alguns trechos da tese, que está intimamente ligada ao tema deste blog.


Um cordial abraço a todos os seguidores do blog e leitores.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Sonata Waldstein de Beethoven

A sonata n21 para piano de Beethoven, concluída no verão de 1804, é considerada uma das sonatas mais importantes do "período médio" da vida de Beethoven. Nesta época Beethoven passa a explorar a expressividade do piano de forma mais completa, buscando novas harmonias e expressões, o que vem a desencadear o início do terceiro período de sua vida, e consequentemente introduzindo o período romântico da música, caracteristicamente mais melódico e expressivo.

Nesta obra estão presentes as tonalidades diminutas tão exploradas por Beethoven, além do grande uso de stacatos, porém podemos ver melodias bem elaboradas e fluídas, fazendo um contraponto com obras como a Sonata Patética (n8), e tantas outras de seu primeiro período. É possível perceber o uso acentuado da expressividade que o instrumento proporciona, com "crescendos" abruptos, por exemplo.

Como curiosidade, podemos destacar que esta obra foi dedicada a seu grande amigo  Conde Ferdinand Ernst Gabriel von Waldstein , devido a isto, a obra passou a ser chamada de Sonata Waldstein.


Abaixo, segue uma das interpelações que mais gosto desta obra, por Daniel Barenboim.




quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Andamento, tempo e a interpretação - Parte 1

Isto é fonte de muita discussão entre músicos, sejam eles profissionais ou amadores. Muitas vezes alunos de música perguntam qual a "velocidade" que uma determinada obra deve ser executada, e como devem interpreta-la. Nesta pequena sequência de "artigos", pretendo dar algumas dicas de como interpretar uma obra com base nas informações presentes na partitura, em seu período e estilo.


 Antes de prosseguirmos, devemos relembrar na teoria musical, o que é tempo e andamento.


Tempo do compasso

O tempo (Time Signature, no inglês), é basicamente a indicação de quantas notas valendo um tempo caberão dentro de um compasso, sendo indicado na forma de uma fração, onde:

  • Numerado: Indica quantos tempos cabem em um compasso
  • Denominador: Indica qual nota vale um tempo na marcação do metrônomo
A maior fonte de confusão, sempre aparece com o denominador. Abaixo segue uma imagem que irá ajudar a entender melhor.

Observe que cada nota possui um número associado. Este número, é utilizado para definir qual a nota que valerá um tempo no compasso. Sendo assim, um compasso 4/4 terá quatro tempos, sendo que a nota que vale um tempo é a semínima (nota número 4 no diagrama anterior). Um compasso 3/2, terá três tempos, sendo que a nota que vale um tempo é a mínima (nota número 2 no diagrama anterior).

Sendo assim, o tempo do compasso serve para auxiliar na definição do andamento de uma música, uma vez que ele define qual nota valerá um tempo, porém, não é somente isto.

Ainda existem os compassos compostos, que não irei abordar neste momento, mas como exemplo podemos pegar um compasso 6/8, como presente na sonata n9 de Mozart. Este é um compasso composto binário que é subdividido em dois tempos formado por três colcheias (fechando os "6 tempos"), desta forma, a nota que vale um tempo é uma semínima pontuada (nota n4 no diagrama anterior, com um ponto de aumento).


O tempo forte

A primeira nota de um compasso (inclui-se pausa também) cairá no chamado tempo forte, sendo assim, esta nota deverá ser um pouco mais acentuada que as demais notas do compasso. É claro, você não irá sair tocando todas as primeiras notas de compasso mais fortes que as demais, a questão aqui envolvida é muito mais subjetiva, e irei abordar na segunda parte deste "artigo".

Andamento

O andamento é nada mais como a velocidade que você deve executar uma obra. Muitas músicas possuem a indicação de andamento anotada junto a indicação de compasso. Existem várias formas de indicar o andamento de uma obra, podendo ser desde os BPM em um metrônomo, até a simples indicação "verbal", como andante ou allegro, por exemplo. Na figura abaixo, temos um exemplo com duas formas de indicação de andamento. A primeira indica que a música deve ser tocada com o andamento allegro, que situa-se entre 120 e 168BPM, e a segunda, indica que a música deve ser executada com um andamento presto, porém, observem que é indicado que a mínima seja utilizada como base de tempo, ou seja, a mínima deve valer um tempo, e o andamento de execução da obra deve ser 68BPM, ou seja, as semicolcheias que aparecem ao longo desta obra deverão ser executadas em uma velocidade muito elevada.




Na segunda parte, serão dadas algumas dicas de como utilizar estas informações para interpretar corretamente (ou o melhor possível) uma obra, e como alia-las ao contexto, forma e período musical a qual a obra pertence.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Concerto de Natal - Orquestra Sacra da ULBRA

E vem chegando o natal, uma das mais belas épocas do ano! Esta época é marcada por muitos concertos e recitais belíssimos.

Neste próximo domingo, dia 8 de Dezembro, ocorrerá um concerto de natal com a Orquestra Sacra da ULBRA, junto com o coral da Comunidade Evangélica Luterana São Paulo de Porto Alegre.


Abaixo, o baner de divulgação do concerto.


Confusões históricas - Prelúdio n1 de Bach e a Ave Maria de Gounod



O Prelúdio número 1 de Bach, presente no Cravo Bem Temperado Vol1 (CBT Vol1) já foi motivos de discussão e muita confusão, principalmente entre os Luteranos.

O Cravo Bem Temperado, como já abordado neste pequeno artigo, foi composto com intuito de demonstrar a viabilidade de uso do sistema tonal temperado, servindo como guia de estudo para alunos e compositores. Desta forma, as obras publicadas em ambos os livros (CBT Vol 1 e Vol 2) não possuem cunho diretamente sacro. Desta forma, estas obras não estariam ligadas diretamente a uma denominação religiosa ou doutrina específica. E realmente, não era este o intuito, uma vez que seu fim não era o uso pela igreja, mas sim o ensino da música.

A fonte de confusão - Ave Maria de Gounod

O grande motivo de discussão entre os Luteranos frente a esta obra reside em sua grande semelhança com a Ave Maria de Charles Gounod, obra está alicerçada na doutrina católica e fonte de grande discussão entre o teólogos e fiéis protestantes.

Antes de qualquer coisa, precisamos ter em mente que são duas composições diferentes, de autores diferentes, portanto é importante situarmo-nos em datas. O primeiro Volume do Cravo Bem Temperado foi publicado por volta de 1722. Como Bach não possui por costume anotar a data de composição de cada obra em suas partituras originais, não se sabe exatamente quando foram escritas e compostos cada uma das obras presentes no livro. A Ave Maria de Gounod, porém, foi composta por volta de 1853, desta forma, temos o quadro abaixo:


  • Prelúdio n1 - CBT Vol1 - Publicado em 1722
  • Ave Maria de Gounod - Composto em 1853

A grande confusão ocorre devido ao uso do Prelúdio n1 de Bach, como base para a Ave Maria de Gounod. Para composição da obra, Gounod teria utilizado os manuscritos de Christian Friedrich Gottlieb Schwencke, que possuíam a adição de uma melodia. Sobre esta melodia, Gounod compôs a Ave Maria, utilizando desta forma, a harmonia e arranjamento do Prelúdio n1 de Bach como acompanhamento e base para a obra.



Obras distintas, porém...

Ambas, são obras distintas, porém para o público em geral acabaram por ser a mesma obra. A Ave Maria de Gounod é basicamente uma transcrição do prelúdio n1 de Bach, com a adição de uma melodia que segue a tendência harmônica da obra original.  Porém, devido a mesma ter sido muito utilizada pela igreja católica e possuir um acompanhamento ímpar e característico, é comum a identificação da obra por leigos em geral. Desta forma, o Prelúdio n1 de Bach acabou por ser descaracterizado como uma obra de Bach, sendo confundido com a Ave Maria de Gounod pela grande maioria dos leigos. 

Isto gerou um fato intrigante: Bach, o maior compositor Luterano, possui uma obra que não pode ser executada em igrejas Luteranas por ser confundida com uma das obras mais importantes da doutrina católica.